Do que depende nossa qualidade de vida sexual? Dentre muitas coisas que podem interferir estão as medicações que fazem parte do nosso dia a dia e não percebemos os diversos efeitos que eles tem. Muitas mulheres antes de entrar na menopausa usam anticoncepcionais e atribuem mudanças na vida sexual a ele. Mulheres pós menopausa atribuem a própria menopausa a redução do desejo. Os homens podem associar 'a idade ou uso de medicações para calvice. 

    Muitas vezes esquecemos como nosso corpo é uma grande orquestra regida por muitos hormônios que conversam entre si e agem em locais semelhantes. E é dessa forma que muitos remédios atuam na redução da libido: aumentando os níveis de prolactina. A prolactina é um hormônio produzido no nosso cérebro que associamos principalmente com o aumento das mamas e produção de leite, mas que é produzido tanto em homens quanto em mulheres, em quantidades e em momentos da vida diferentes. 

    Existem algumas medicações que apresentam como efeito colateral um aumento transitório, dos níveis no sangue de prolactina. Esse aumento não chega a ser percebido em exames de sangue na sua maior parte, mas representa um aumento fora daquele habitual para aquela pessoa, sendo capaz de interferir no funcionamento hormonal habitual do corpo. Essas alterações são transitórias e revertem após parada do uso dos remédios após algum tempo, a depender do seu princípio ativo.  

    Abaixo alguns exemplos de drogas que podem atuar dessa forma:

    - anti-hipertensivos: metildopa, verapamil.

    - anti-depressivos: fluoxetina, paroxetina.

    - anti-psicoticos: risperidona, haloperidol, clorpromazina

    - analgesicos: metadona, morfina.

    - medicações para trato gastro-intestinal: plasil, domperidona, ranitidina.

    Algumas dessas medicações são muito importantes para tratamento de outras doenças e não devem ser descontinuadas sem antes consultar um especialista. Pode-se sempre tentar buscar equivalentes com menos efeitos adversos. 

    Contudo, o mais importante é saber que a libido depende de muitos fatores não mensuráveis: desejo, vínculo, contexto emocinal, contexto social, entre outros.


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Dra Karina Belickas Carreiro - CRM: 139.999
São Paulo, 10 de junho de 2019